Archive for the ‘Doutrina Bíblica’ Category

Caídos, caídos…Voltem-se a Cristo !!!

11/03/2010

A Velha e Nova Cruz…

05/03/2010

A Velha e Nova Cruz

por

A. W. Tozer

Sem fazer-se anunciar e quase despercebida uma nova cruz introduziu-se nos círculos evangélicos dos tempos modernos. Ela se parece com a velha cruz, mas é diferente; as semelhanças são superficiais; as diferenças, fundamentais.

Uma nova filosofia brotou desta nova cruz com respeito à vida cristã, e desta nova filosofia surgiu uma nova técnica evangélica – um novo tipo de reunião e uma nova espécie de pregação. Este novo evangelismo emprega a mesma linguagem que o velho, mas o seu conteúdo não é o mesmo e sua ênfase difere da anterior.

A velha cruz não fazia aliança com o mundo. Para a carne orgulhosa de Adão ela significava o fim da jornada, executando a sentença imposta pela lei do Sinai. A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se compreendermos bem, considera-a uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ela continua vivendo para seu próprio prazer, só que agora se deleita em entoar coros e a assistir filmes religiosos em lugar de cantar canções obcenas e tomar bebidas fortes. A ênfase continua sendo o prazer, embora a diversão se situe agora num plano moral mais elevado, caso não o seja intelectualmente.

A nova cruz encoraja uma abordagem evangelística nova e por completo diferente. O evangelista não exige a renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. Ele não prega contrastes mas semelhanças. Busca a chave para o interesse do público, mostranto que o cristianismo não faz exigências desagradáveis; mas, pelo contário, oferece a mesma coisa que o mundo, somente num plano superior. O que quer que o mundo pecador esteja idolizando no momento é mostrado como sendo exatamente aquilo que o evangelho oferece, sendo que o produto religioso é melhor.

A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. Ela o faz engrenar em um modo de vida mais limpo e agradável, resguardando o seu respeito próprio. Para o arrogante ela diz: “Venha e mostre-se arrogante a favor de Cristo”; e declara ao egoísta: “Venha e vanglorie-se no Senhor”. Para o que busca emoções, chama: “Venha e goze da emoção da fraternidade cristã”. A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente a fim de torná-la aceitável ao público.

A filosofia por trás disso pode ser sincera, mas na sua sinceridade não impede qe seja falsa. É falsa por ser cega, interpretando erradamente todo o significado da cruz.

A velha cruz é um símbolo da morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem, na época romana, que tomou a sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. estava indo para seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com sua vítima. Golpeava-a cruel e duramente e quando terminava seu trabalho o homem já não existia.

A raça de Adão está sob sentença de morte. Não existe comutação de pena nem fuga. Deus não pode aprovar qualquer dos frutos do pecado, por mais inocentes ou belos que pareçam aos olhos humanos. Deus resgata o indivíduo, liquidando-o e depois ressucitando-o em novidade de vida.

O evangelismo que traça paralelos amigáveis entre os caminhos de Deus e os do homem é falso em relação à bíblia e cruel para a alma de seus ouvintes. A fé manifestada por Cristo não tem paralelo humano, ela divide o mundo. Ao nos aproximarmos de Cristo não elevamos nossa vida a um plano mais alto; mas a deixamos na cruz. A semente de trigo deve cair no solo e morrer.

Nós, os que pregamos o evangelho, não devemos julgar-nos agentes ou relações públicas enviados para estabelecer boa vontade entre Cristo e o mundo. Não devemos imaginar que fomos comissionados para tornar Cristo aceitável aos homens de negócio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato.

Deus oferece vida, embora não se trate de um aperfeiçoamento da velha vida. A vida por Ele oferecida é um resultado da morte. Ela permanece sempre do outro lado da cruz. Quem quiser possuí-la deve passar pelo castigo. É preciso que repudie a si mesmo e concorde com a justa sentença de Deus contra ele.

O que isto significa para o indivíduo, o homem condenado quer encontrar vida em Cristo Jesus? Como esta teologia pode ser traduzida em termos de vida? É muito simples, ele deve arrepender-se e crer. Deve esquecer-se de seus pecados e depois esquecer-se de si mesmo. Ele não deve encobrir nada, defender nada, nem perdoar nada. Não deve procurar fazer acordos com Deus, mas inclinar a cabeça diante do golpe do desagrado severo de Deus e reconhecer que merece a morte.

Feito isto, ele deve contemplar com sincera confiança o salvador ressurreto e receber dEle vida, novo nascimento, purificação e poder. A cruz que terminou a vida terrena de Jesus põe agora um fim no pecador; e o poder que levantou Cristo dentre os mortos agora o levanta para uma nova vida com Cristo.

Para quem quer que deseje fazer objeções a este conceito ou considerá-lo apenas como um aspecto estreito e particular da verdade, quero afirmar que Deus colocou o seu selo de aprovação sobre esta mensagem desde os dias de Paulo até hoje. Quer declarado ou não nessas exatas palavras, este foi o conteúdo de toda pregação que trouxe vida e poder ao mundo através dos séculos. Os místicos, os reformadores, os revivalistas, colocaram aí a sua ênfase, e sinais, prodígios e poderosas operações do Espírito Santo deram testemunho da operação divina.

Ousaremos nós, os herdeiros de tal legado de poder, manipular a verdade? Ousaremos nós com nossos lápis grossos apagar as linhas do desenho ou alterar o padrão que nos foi mostrado no Monte? Que Deus não permita! Vamos pregar a velha cruz e conhecermos o velho poder.

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Fonte: O Melhor de A. W. Tozer, Editora Mundo Cristão, pg 151 a 153.

Fonte : Monergismo.com

Pregadores civilizados…

04/03/2010

Acorde igreja !!!

04/03/2010

Tomando a cruz…

02/03/2010

Tomando a cruz
Arthur W. Pink

“Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me”. (Mt 16:24)

Então disse Jesus a seus discípulos, “Se alguém quer…” – a palavra “quer” aqui significa “desejam” como no versículo “todos quantos desejam viver piedosamente”. Isso significa “estar determinado”. “Se alguém deseja vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz (não uma cruz, mas a sua cruz) e siga-me”. E em Lucas 14:27 Cristo declarou: “E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo”. Portanto não é uma opção. A vida cristã é muito mais do que subscrever um sistema de verdades, adotar um código de conduta ou submeter-se a ordenanças religiosas. Acima de tudo a vida cristã é uma experiência pessoal de comunhão com o Senhor Jesus. E apenas na proporção em que a sua vida é vivida em comunhão com Cristo você estará vivendo a vida cristã, somente nesta medida.

A vida cristã é uma vida que consiste em seguir a Jesus. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me” . Espero que você e eu possamos ganhar distinção pela proximidade com que seguimos a Cristo, e então teremos de fato comunhão íntima com Ele. Existe um grupo descrito nas escrituras no qual é dito “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá”. Mas, infelizmente, há um grupo, um grande grupo, que parece seguir ao Senhor de forma irregular, espasmódica, ocasional e distante, não de todo o coração. Há muito do mundo e deles mesmos em suas vidas e tão pouco de Cristo. Três vezes mais feliz será aquele que como Calebe perseverar em seguir ao Senhor.

Ora, amados, nosso principal interesse e objetivo é seguir a Cristo, mas existem dificuldades pelo caminho. Existem obstáculos na vereda e é a eles que a primeira parte do nosso texto se refere. Você nota que a palavra “siga-me” vem no final. A si mesmo fica no caminho, e o mundo com suas milhares de atrações e distrações é um obstáculo; portanto Cristo diz, “Se alguém quer vir após Mim (primeiro) a si mesmo se negue, (segundo) tome sua cruz, e (terceiro) siga-me”. E ai nós aprendemos a razão pela qual tão poucos cristãos professos seguem a Cristo de perto, clara e consistentemente.

O primeiro passo em direção a um seguir diário a Cristo é o negar se a si mesmo. Há uma grande diferença meus irmãos e irmãs, entre negar-se a si mesmo e a assim chamada alta negação. A idéia popular tanto para o mundo como entre os cristãos é a de desistir das coisas que gostamos. Existe uma grande diversidade de opiniões sobre o que deveria ser abandonado. Há alguns que limitariam isso ao que é caracteristicamente mundano, como ir ao cinema, dançar e assistir às corridas. Há outros que limitariam isso a um determinado período de tempo quando a diversão e outras coisas que são seguidas durante o resto do ano, são rigidamente evitadas nessa época. Mas tais métodos, assim como os outros, só promovem o orgulho espiritual, pois certamente eu mereço algum crédito se eu desisto de tanta coisa! Ah, meus amigos, o que Cristo fala em nosso texto (que o Espírito de Deus aplique isso às nossas almas) como sendo o primeiro passo para segui-Lo é a negação do próprio eu, não simplesmente algumas coisas que agradam o eu, não algumas coisas que o eu deseja, mas a negação do próprio eu.

O que significa “ se alguém vier após mim, a si mesmo se negue”? Significa em primeiro lugar abandonar a sua própria justiça, mas quer dizer muito mais que isso. Significa parar de insistir sobre meus próprios desejos, Significa repudiar o próprio eu. Significa parar de considerar nosso próprio conforto, nosso sossego, nossa satisfação, nosso engrandecimento, nossos próprios benefícios. Significa acabar com o eu. Significa, amados, dizer com o apóstolo : “Para mim o viver é…” , não o eu, mas “… Cristo”. Para mim o viver é obedecer a Cristo, servir a Cristo, honrar a Cristo, gastar-me para Ele. Esse é o significado! E “se alguém vier após Mim”, diz o nosso Mestre, “A si mesmo se negue” , deixe o eu ser repudiado, ser aniquilado. Em outras palavras isso é o que vemos em Romanos 12:1, “Apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”.

Agora o segundo passo para seguirmos a Cristo é o tomar a cruz. “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz …”. Ah meus amigo, viver a vida cristã é algo mais do que ter uma vida fácil e tranqüila; é um compromisso sério. É uma vida que tem de ser disciplinada com sacrifício. A vida de discipulado começa com a auto-renúncia e continua com a auto-mortificação. Em outras palavras o nosso texto se refere à cruz não apenas como um objeto de fé, mas como um princípio de vida, como um distintivo do discipulado, como uma experiência da alma. E, atentem! Assim como é verdade que a cruz foi o único caminho de Jesus de Nazaré para o trono do Pai, o único caminho para uma vida de comunhão com Deus, e da coroa ao final para o crente, é através da cruz. Os benefícios legais do sacrifício estão assegurados pela fé, quando a culpa do pecado é cancelada; mas a cruz só se torna eficaz sobre o poder do pecado que habita em nós quando ela é tomada diariamente em nossas vidas.

Eu quero chamar a sua atenção para o contexto. Vejamos juntos em Matheus 16, versículo 21: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos e, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto, e ressuscitado ao terceiro dia. E Pedro, chamando-Lhe à parte, começou a reprová-Lo” . Ele vacilou e disse: “Tem compaixão de ti, Senhor”. Isso expressa a lógica do mundo. Esse é o teor da filosofia do mundo, auto-proteção e egoísmo; mas o que Cristo pregou não foi “poupar-se”, e sim “sacrificar-se”. O Senhor Jesus viu na sugestão de Pedro uma tentação de Satanás e lançou-se de Si: “Então disse Jesus aos seus discípulos: se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue tome sua cruz e siga-me”. Em outras palavras o que Cristo disse foi: Eu estou subindo para Jerusalém para a cruz; se alguém de vocês quiser me seguir há uma cruz para ele. E, como Lucas capitulo 14 diz, “Qualquer que não tomar a sua cruz, …, não pode ser meu discípulo”. Não apenas Jesus devia subir para Jerusalém e ser morto, mas todo aquele que o seguir deve tomar a sua cruz. O “deve” é tão imperativo em um caso como no outro. A cruz de Cristo permanece única em seu caráter expiatório, mas no viver diário ela é compartilhada por todo aquele que passou da morte para a vida.

Então, o que “a cruz” significa? O que Cristo quis dizer que “a não ser que alguém tome a sua cruz”? Meu amigos é deplorável que nestes últimos tempos uma pergunta como esse precise ser feita é ainda mais deplorável que a grande maioria do próprio povo de Deus tenha concepções anti-bíblicas do porquê da existência da “cruz”. O crente em geral parece considerar a cruz a que se refere o texto como qualquer aflição ou dificuldade que possa lhe sobrevir. Qualquer coisa que venha perturbar a nossa paz, que é desagradável à carne, que nos irrita, é vista como uma cruz. Um diz: “Bem, essa é minha cruz!”, outro diz que outra coisa é a cruz deles. Meus amigos, a palavra nunca é utilizada dessa forma no Novo Testamento. A palavra “cruz” nunca é encontrada na forma plural, nem precedida por um artigo indefinido: “uma cruz”. Note também que no nosso texto a nossa cruz está ligada a um verbo na voz ativa, e não na passiva. Não é uma cruz que é colocada sobre nós, mas uma cruz que deve ser “tomada”. A cruz significa realidades definidas que incorporam e expressam as principais características da agonia de Cristo.

Outros entendem que “a cruz” se refere a deveres desagradáveis que eles cumprem sem disposição, ou a hábitos carnais que rejeitam. Eles imaginam que tomam “a cruz” quando, empurrados pela consciência se abstêm de coisas realmente desejadas. Tais pessoas invariavelmente transformam suas “cruzes” em armas para agredir a outras. Elas ostentam a sua auto-negação e andam por aí insistindo que as demais deveriam imitá-las. Tais concepções da “cruz” são tão farisaicas quanto falsas, e tão prejudiciais quanto errôneas.

Agora, na medida em que o Senhor me permitir, deixem-me mencionar três coisas que a cruz significa.

Primeiro, a cruz é a expressão do ódio do mundo. O mundo odiou o Cristo de Deus e o seu ódio foi plenamente manifesto na sua crucificação. No capitulo 15 do evangelho de João, sete vezes Cristo faz referência ao ódio do mundo contra Si e contra o Seu povo; e apenas na proporção que você e eu seguimos a Cristo, em que nossas vidas forem seguidas como a sua, em que deixarmos o mundo e estivermos em comunhão com Ele, então o mundo nos odiará.

Nós lemos nos evangelhos que um homem veio e apresentou-se a Cristo para ser o seu discípulo e pediu que primeiro pudesse ir e enterrar o seu pai, um pedido muito natural, realmente louvável (?), e a resposta do Senhor é quase atordoante. Disse Ele àquele homem: “Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus próprios mortos”. O que teria acontecido àquele jovem se ele tivesse obedecido a Cristo? Eu não sei se ele obedeceu ou não, mas se obedecesse o que aconteceria? O que teriam pensado dele seus parentes e amigos? Seriam eles capazes de apreciar o motivo, a devoção que fez com que seguissem a Cristo e negligenciasse o que o mundo chamaria de um dever filial? Ah, meus amigos, se vocês seguem a Cristo o mundo pensará que estão loucos, e algumas pessoas encontram muita dificuldade em suportar as censuras contra a sua sanidade. Sim, algumas que encontram na reprovação dos vivos uma provação mais difícil do que a perda dos mortos.

Outro jovem apresentou-se a Cristo para o discipulado e pediu ao Senhor que primeiro lhe deixasse ir à sua casa despedir-se dos seus, um pedido muito natural, então o Senhor apresentou a “cruz”: “Ninguém que tendo posto a mão no arado, olha para traz é apto para o reino de Deus”. Pessoas de temperamento afetuoso se ressentem dos puxões que desatam os laços do lar, e os acham difíceis de suportar; mais difíceis ainda são as suspeitas dos amados e amigos de terem sidos desprezados. Sim, a censura do mundo se torna muito real se estivermos seguindo a Cristo de perto. Ninguém pode segui-Lo e permanecer em harmonia com o mundo.

Outro jovem veio e apresentou-se a Cristo e ajoelhando-se a seus pés, o adorou, e disse: “Mestre, que farei eu de bom …”? e o Senhor apresentou-lhe a cruz: “Vende tudo o que tens dá aos pobres, depois vem e segue-me”. E o jovem retirou-se triste . E Cristo ainda continuou a dizer, a vocês e a mim, Hoje: “E qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser meu discípulo” . A cruz significa a reprovação e o ódio do mundo. Mas assim como a cruz foi voluntária para Cristo, ela é voluntária para o Seu discípulo. Ela tanto pode ser evitada ou aceita, ignorada ou “tomada”.

Mas em segundo lugar, a cruz significa uma vida que é voluntariamente rendida à vontade de Deus. Do ponto de vista do mundo a morte foi um sacrifício voluntário. Vejamos por um momento o capitulo 10 de João, começando com o versículo 17: “Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para entregar e também para reavê-la”. Porque Ele deu a Sua vida? Veja o final do versículo 18 “esse mandato recebi de meu Pai.” A cruz foi a última exigência de Deus sobre a obediência do Seu Filho. Por isso em Filipenses 2 diz que Ele “subsistindo em forma de Deus não julgou com usurpação o ser igual a Deus; antes a Si mesmo se esvaziou assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens, e reconhecido em figura humana, a Si mesmo se humilhou, tornado-Se obediente até a morte …” esse foi o clímax, esse foi o fim do caminho da obediência, “… e morte de cruz.”

Cristo nos deixou exemplo para que seguíssemos os seus passos. A obediência de Cristo deve ser a obediência do cristão-voluntária, não compulsória-voluntária, contínua, fiel, sem nenhuma reserva, até a morte. A cruz portanto significa obediência, consagração, rendição, uma vida a disposição de Deus. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” e “qualquer que não tomar a sua cruz, e vier após mim, não pode ser Meu discípulo.”. Em outras palavras, caros amigos, a Cruz significa o principio do discipulado, nossa vida sendo dirigida pelo mesmo principio que dirigiu a vida de Cristo, Ele veio aqui e não agradou a Si mesmo: nem tão pouco devo eu procurar agradar a mim mesmo. Ele a Si mesmo se esvaziou: então assim devo eu fazer. Ele ia por toda parte fazendo o bem: o mesmo deveria eu fazer. Ele não veio para ser servido mas para servir: assim deveríamos agir. Ele tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz. É isso que a cruz significa: primeiro, a reprovação do mundo, porque nós nos opomos a ele, e incitamos a sua ira por nos separarmos dele, e por andarmos por uma direção diferente, e sermos dirigidos por princípios diferentes daqueles pelos quais ele é dirigido. Segundo, significa uma vida sacrificada a Deus – devotada a Ele.

Em terceiro lugar, a cruz significa sacrifício e sofrimento vicários. Vejamos a primeira epistola de João, no versículo 16 do terceiro capitulo: “Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós: e devemos dar as nossas vidas pelos irmãos”. Essa é a lógica do Calvário. Nós somos chamados à comunhão com Cristo e nossas vidas devem ser vividas segundo os mesmos princípios que a dEle – obediência a Deus e sacrifícios pelos outros. Ele morreu para que tivéssemos vida e, meus amigos, nós temos que morrer para que possamos viver, veja o versículo 25 do capitulo 16 de Mateus: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á” – isso diz respeito a todo cristão, pois Cristo estava ali falando aos discípulos. Todo o crente que tem vivido uma vida egocêntrica, preocupado com o seu próprio conforto, sua própria paz de consciência, o seu próprio bem estar, suas próprias vantagens e benefícios, essa “vida” irá se perder para sempre – tudo desperdiçado à luz da eternidade; madeira, feno e palha, que virarão fumaça. Mas, “quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á”, que quer dizer, alguém que não tem vivido a sua vida considerando seu próprio bem estar, seus próprios interesses, seu próprio benefício, sua própria promoção, mas a tem sacrificado e gastado a serviço dos outros por causa de Cristo; esse achará – “achar” o quê? – ele a achará, não alguma outra coisa a mais: a sua vida, não outra – a sua vida. Essa vida foi imortalizada, perpetuada, foi feita de materiais imperecíveis que sobreviverão ao teste do fogo do dia por vir. Ele “a” achará. Ele morreu para que pudéssemos viver, e nós devemos morrer se quisermos viver! “Quem perder a vida por minha causa, achá-la-á”.

Novamente, no capitulo 20 de João, Cristo disse aos seus discípulos, “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” . Para fazer o que, Cristo foi enviado aqui? Para glorificar ao Pai; para expressar o amor de Deus; para manifestar a graça de Deus, para lamentar sobre Jerusalém; para ter compaixão do ignorante e daqueles que estão fora do caminho; para labutar tão diligentemente que Ele não tinha tempo nem para comer; para viver uma vida de tal alto sacrifício que seus familiares disseram “Está fora de si” e, “Assim como o Pai me enviou,” diz Cristo, “Eu também vos envio”. Em outras palavras, Eu vos envio de volta para o mundo do qual vos salvei. Eu vos envio de volta para o mundo para viverem com a cruz estampada em vocês. Oh irmãos e irmãs, quão pouco “sangue” há em nossas vidas! Quão pequeno é o levar o morrer de Jesus em nossos corpos (II Co 4:10).

Já começamos, de algum modo, a “tomar a cruz”? Estamos surpresos com o fato de O estarmos seguindo tão de longe? Estamos surpresos pelo fato de termos tão pouca vitória sobre o pecado que habita em nós? Há uma razão para tudo isso. Em seu caráter expiatório a Cruz de Cristo permanece única, mas no viver diário a cruz dever ser compartilhada por todos os Seus discípulos. Legalmente a Cruz do Calvário anulou e afastou de nós a nossa culpa, a culpa do nosso pecado, mas, meus amigos, eu estou perfeitamente convencido, que a única maneira de nos libertarmos do poder do pecado sobre nossas vidas e de obter domínio sobre o velho homem dentro de nós, é tornando a cruz parte da experiência das nossas almas. Foi na cruz que o pecado foi tratado legal e judicialmente; somente na medida em que a cruz for “tomada” pelo discípulo é que ela se torna uma experiência – matando o poder e a corrupção do pecado que habita em nós. E Cristo diz: “Qualquer que não tomar a sua cruz, … não pode ser meu discípulo!”. Oh, que necessidade tem cada crente de ficar a sós com o Senhor e consagrar-se ao Seu serviço.

Extraído do Livro – Os Atributos de Deus

O Julgamento do Trono Branco…

26/02/2010

Spurgeon e a Predestinação…

12/02/2010

Glorificando a Deus no fogo…

08/02/2010

Glorificando a Deus no Fogo

por

George Whitefield

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma cousa extraordinária vos estivesse acontecendo”. (1 Pedro 4.12)

O fogo, meus irmãos, não apenas queima e purifica, mas, como você sabe, separa uma substância da outra, sendo utilizado na química e na mecânica. O que poderíamos fazer sem o fogo? Ele refina o metal, a fim de purificá-lo. O Deus todo-poderoso sabe: freqüentemente somos mais purificados, em determinado momento, por intermédio de uma saudável provação do que por meio milhares de demonstrações de seu amor. É algo excelente sair purificado e perdoado da fornalha de aflição; seu propósito é nos purificar, a fim de separar o precioso do vil, o joio do trigo. E Deus, para realizar isso, se agrada em colocarnos em um fogo após o outro. Isto me faz apreciar a ocasião em que vejo um bom homem passando por aflições, porque ensina algo sobre a maneira como Deus age no coração.

Lembro que, há alguns anos, quando preguei em Shields, próximo a Newcastle, no norte da Inglaterra, entrei em uma fábrica de vidro. Permanecendo muito atento, pude contemplar várias peças de vidro quente com diversas formas. O operário pegou uma das peças de vidro e a colocou em uma fornalha; depois, em outra; e, posteriormente, em uma terceira. Quando perguntei-lhe: “Por que você está colocando esse vidro em tantas fornalhas?”, ele me respondeu: “Colocá-los apenas na primeira ou na segunda não é suficiente; por esta razão, eu o coloquei na terceira: isso torna o vidro transparente”.

Ao afastar-me do operário, ocorreu-me que aquele acontecimento daria um bom sermão: “Ora, esse homem colocou o vidro em uma fornalha após a outra, a fim de que pudéssemos ver através dele. Oh! Que Deus me coloque em uma fornalha após outra, para que minha alma seja transparente, e eu O veja como Ele é”.

Meus irmãos, precisamos ser purificados; a nossa tendência é de querer ir ao céu em uma cama macia; mas o caminho do Rei para muitos consiste em um leito de dores e abatimento. Conforme sabemos, há várias estradas em Londres chamadas “caminhos do Rei”, e foram excelentemente construídas com pedras. Mas o caminho do Rei para o céu está repleto de cruzes e aflições.

Todos nos inclinamos a pensar bem a respeito de ser um cristão. É muito agradável falar sobre o cristianismo, até que sejamos colocados em uma fornalha após outra. “Não estranheis”, disse o apóstolo, “o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos”. O que preciso fazer? Ora, se estou no fogo, é por causa das minhas corrupções. Deus não fará que passemos pelo fogo, se não houver algo a ser purificado. A grande virtude é aprender a glorificar a Deus no meio do fogo. Portanto, glorificai a Deus no fogo.

Quando glorificamos a Deus no fogo? Quando nos esforçamos para conseguir tal graça da parte do Senhor, a fim de que não O desonremos ao passar pelo sofrimento; portanto, glorificamos a Deus no fogo em ocasiões que suportamos, com quietude, a aflição como uma disciplina.

Glorificamos a Deus no fogo quando sofremos com paciência. É algo terrível alguém dizer, assim
como Caim: “É tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo”. Mas a linguagem de uma alma que glorifica a Deus no fogo é esta: “Senhor, Senhor, posso eu, um homem pecador, reclamar por causa do castigo de meus pecados?” É glorioso ser capaz de afirmar, assim como aquele homem a respeito de quem, diversas vezes, um de seus amigos me falou que, encontrando-se dilacerado pela dor, gemia durante toda a noite por causa de sua enfermidade, mas clamava: “Senhor, estou gemendo; Senhor, estou gemendo; mas, Senhor Jesus, apelo a Ti, pois sabes que não estou resmungando”. Glorificamos a Deus no fogo, quando, apesar de sentirmos dor e tristeza, ao mesmo tempo dizemos: “Senhor, eu mereço isso e dez vezes mais do que isso”.

Também glorificamos a Deus no fogo quando, de fato, estamos completamente persuadidos de que Ele não há de colocar-nos no fogo, exceto quando isso coopere para nosso bem e redunde em sua glória.

Glorificamos a Deus no fogo quando dizemos: “Senhor, não permita que o fogo se apague até que remova todas as minhas escórias”. Então, nós O glorificamos quando almejamos que o fogo nos seja benéfico e não se apague, e nossa alma pode clamar: “Eis-me aqui, Senhor Deus, faze comigo o que te parecer agradável; sei que não terei uma aflição sem que Tu me concedas o consolo e me faças saber porque contendes comigo”.

Glorificamos a Deus no fogo quando demonstramos contentamento para dizer: “Não sei o que Ele está fazendo comigo agora; todavia, depois o saberei”. Explicamos para nossos filhos de dois anos de idadeporque as coisas acontecem; é claro que não. E pensamos que Deus as explicará para nós? Os discípulos perguntaram: “O que este homem está fazendo?” Cristo respondeu: “Que tenho eu contigo? Segue-me”. Glorificamos a Deus no fogo quando nos contentamos em andar pela fé e não pelo que vemos.

Glorificamos a Deus no fogo quando não murmuramos em desagrado, mas submetemo-nos humildemente à vontade dEle. Uma pessoa humilde não anda em rebeldia e mau humor. Mas, existem pessoas de coração tão endurecido que nem chegam a se expressar. Quando aquela terrível notícia foi trazida a Eli, o que disse ele? “É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver?; que meus filhos sejam mortos; o que aconteceré Ele quem o está fazendo; apenas, Senhor, salve minha alma.

Glorificamos a Deus no fogo, quando no meio deste podemos entoar sublimes louvores a Ele. Os filhos de Israel glorificaram o Senhor; o cântico dos três rapazes na fornalha ardente é um louvor agradável! Assim também são todos os louvores produzidos em meio ao fogo. “Oh! Todas as obras do Senhor, louvai-o e exaltai-o para sempre!” Portanto, glorificamos a Deus no fogo quando nos regozijamos nele e não apenas pensamos mas também reconhecemos que isso é o melhor; quando somos capazes de agradecer a Deus por nos fustigar e quando podemos bendizê-Lo e expressar-Lhe nossa gratidão por não ter nos abandonado, afirmando: “Deixai-os sozinhos”. Istoé glorificar a Deus no fogo. “E não somente isto”, disse o apóstolo, “mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança”. Neste mundo, glorificamos a Deus no fogo quando exercitamos humildade, paciência e resignação, aprendendo a desconfiar cada vez
mais de nós mesmos, obtendo um profundo conhecimento de nossa própria fraqueza e da onipotência e da graça de Deus. Somos felizes quando podemos olhar para trás e declarar: “Fui capacitado a glorificar a Deus no fogo”.

Bem-aventurados são os que já passaram pela fornalha de Cristo! Felizes, os que já experimentaram as aflições de Cristo em suas almas! Creio que muitas almas já disseram: “Ó Senhor Jesus, ajuda-nos a glorificar- Te em quaisquer aflições que, por Teu agrado, enviares e em quaisquer fornalhas que, por Teu deleite, nos colocares”. Então, cantaremos “A Igreja Triunfante” muito melhor do que o fazemos agora; veremos Jesus pronto a ajudar-nos quando estivermos na fornalha da aflição. Oh! Que este pensamento faça todo pecador afirmar: “Com a ajuda de Deus, eu me tornarei um verdadeiro cristão; com a ajuda de Deus, se tiver de passar pelo fogo, estarei ardendo de amor por Cristo. E direi: “Senhor, seja glorificado por arrebatar-me como um tição da fornalha de Satanás!”?. Seja este o clamor de todos os corações!

http://www.monergismo.com

Agonia – Leonard Ravenhill

02/02/2010

Uma pregação chocante…

02/02/2010